A inspiração que o tempo nem sempre traz - Observador Regional

A inspiração que o tempo nem sempre traz


  • A inspiração que o tempo nem sempre traz
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    Ser poeta é uma missão que necessita muito mais do que saber jogar com sons e significados das palavras. É ter a capacidade de transcrever sentimentos diversos inspirados a cada instante.

    Inspirar-se para a vida é algo essencial aos poetas de fato e aos viventes desse mundo findável. Assim, o processo de criação poética depende tanto de entendimento, quanto de uma dose satisfatória de inspiração, pois, por mais conhecedores que sejamos do processo da escrita, nem todos possuem sensibilidade suficiente para tocar a alma humana. É claro que nem sempre temos condições reais para que possamos tocar de maneira única e bela aquilo que faz parte de cada ser e não terá fim. Aliás, há tempos cinzentos, nos quais nem o brilho do sol, nem o da lua, consegue fazer com que sentimentos belos estejam sobressalentes. Parece, por vezes, que estamos vivendo tempos das poesias de Augusto dos Anjos, tido por alguns como “o poeta da morte”, que conseguiu, de maneira única, criar versos acerca das mais improváveis temáticas poéticas.

    Vivemos dias em que a justiça parece nada valer e o medo parece ser o companheiro do cidadão de bem. Ao sairmos de casa, não temos a certeza do retorno e, ao analisar o que acontece em nossos sistemas, nem sabemos o que de fato pensar afinal, há tantos fatos acontecendo que nos deixam entristecidos.

    Tem gente que não consegue se reconhecer como gente, preferindo destruir tudo a sua volta, pois nem vê orientação, nem saída para o abismo em que se vive. Tem outras gentes que embora sejam honestos e trabalhem com afinco vivem tempos de desvalorização, de instabilidade, de lágrimas e de falta de outros caminhos, pois se os tivessem, já teriam modificado o rumo de sua caminhada. Há, ainda, outros que souberam e sabem usar da palavra para justificar toda e qualquer decisão que cause falta aos menos favorecidos, mesmo que nessas escolhas não se utilize o critério da igualdade.

    Vivemos, realmente, tempos em que o amor e o trabalho parecem ser parceláveis, tratados sem o devido valor e respeito que deveria. Tempos esses em que o ser humano é, muitas vezes, desumanizado e esquecido em quadrangulares frágeis e inseguros.

    Esse é o nosso tempo. Aquele em que a elite pensa que ao fazer um jogo de imitação de importante tarefa de limpeza dos próprios dejetos poderá sentir o mesmo daquele ser humano que consegue deixar o mundo melhor, mais limpo, transitável e que consegue viver sorrindo, embora de maneira simples e de trabalho nem sempre valorizado. Infelizmente, embora a mídia tente, não há como experimentar a simplicidade de ser grande em meras encenações, pois o tempo da nossa sociedade não está a favorecer a verdadeira arte, nem a poesia. Podemos definir nossos últimos dias, esses noticiados, como parte constituinte de um tempo que propicia a falta real de inspiração para considerar as belezas do ser na escrita de um belo e tocante poema.

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    Fonte: Luciane M. Della Flora
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