A chegada de um inverno - Observador Regional

A chegada de um inverno


  • A chegada de um inverno
  • A chegada de um inverno


    Existem momentos em nossa vida que deixamos de ouvir o canto dos pássaros e nada além da ferocidade do vento é perceptível aos nossos ouvidos. Quando isso acontece, compreendemos que algo se aproxima, mesmo que seja apenas uma leve tempestade ou algo mais destruidor.

    Naquela noite o vento fazia com que um galho de uma árvore qualquer batesse incessantemente em uma das janelas. Estava apenas tentando chamar a atenção para que ele acordasse e percebesse a situação que iria instalar-se em sua casa. Nada estava do mesmo jeito e a chuva começava a cair. Junto com ela, lágrimas, pois não compreendia o que havia acontecido.

    Os dias eram tão tranquilos, a temperatura era amena. Nada lhe preocupava aparentemente, entretanto, o inevitável aconteceu. Era chegado o momento! O outono de sua vida parecia ter ido embora e dado lugar à chuva, ao vento destruidor e ao frio impiedoso. O telhado de sua casa já não existia.

    A paralisia inicial foi, simplesmente, inevitável. A sua vida era tão alinhada, as estações eram tranquilas de se viver, mas, por algum motivo, permitiu uma força superior que ele passasse por um inverno rigoroso e com um telhado de sua casa para reconstruir.

    O frio era intenso, tão intenso, que, em um primeiro momento, sentiu-se tão sozinho e destruído. Tudo que julgava ter cultivado, desde o plantio até o cuidado que teve com as flores, com os frutos e com a delicadeza que realizava as colheitas foram certamente, naquele momento, considerados sem valor. O frio tomava conta de sua vida. O abandono falava-lhe mais alto.

    O enfrentamento daqueles dias que sucederam à tempestade realmente não foi fácil. Teve que aprender agasalhar-se e encontrar outro modo de viver. Demorou passar, mas chegou o dia em que o inverno foi embora, assim como todas as pessoas que temos em nossa vida também irão um dia. Se não elas, nós iremos.

    Depois daquele período gelado, feroz, que imobilizou as suas mãos e entristeceu sua alma, percebeu ele que a estação solitária passaria e que as flores voltariam a existir. Nada em nossa vida dura para sempre, a não ser, talvez, a própria essência de nosso viver.

    Ele, assim como tanta gente, compreendeu que havia um motivo pelo qual o vento bateu em sua porta. As estações da sua vida, por algum motivo, precisavam se modificar. Talvez elas ocorram mais de uma vez, afinal, o inverno não é eterno. Ele chega, mas também se vai. Desse modo, acredite que tudo passará e a primavera irá chegar.  Entendeu, após um tempo, que era exatamente isso que o vento dizia-lhe ao tocar sua janela, naquela chegada de inverno.


    Fonte: Luciane M. Della Flora
    Postado por: Observador Regional