Relatos feitos por Gabriel L. Krütri, em uma tribo indígena no Paraguay - Observador Regional

Relatos feitos por Gabriel L. Krütri, em uma tribo indígena no Paraguay


  • Relatos feitos por Gabriel L. Krütri, em uma tribo indígena no Paraguay
  • Relatos feitos por Gabriel L. Krütri, em uma tribo indígena no Paraguay


                Em uma de minhas viagens pelo Paraguay, nossa equipe foi convidada a participar de um evento em uma tribo indígena, os Aché. Eu e minha equipe embarcamos afoitos para conhecer a cultura, a qual nos havíam contado poucas coisas. Quando chegamos, fomos alvo de risos, apertos, puxões e curiosidade. Foram muito receptivos, nos abraçavam e riam, riam muito, as crianças nos olhavam com um olhar de curiosidade, os velhos falavam, mas não compreendíamos nada.

                Havia muitos deles, pois era um encontro de tribos milenares, havia outras três vizinhas presentes e muitas crianças correndo. Estávamos todos felizes. Levamos alguns alimentos e quando íamos, vi uma enorme estrutura onde se concentrava muitas mulheres, alí ficava a cozinha comunitária, homens da aldeia saíam para caçar e depois fazíam todos juntos o preparo em grandes panelões ao lado de fora. Fiquei fascinado, pois não imaginava que existissem tribos que ainda zelavam pela sua cultura e modo "tropical" de viver.

                Passeando pela aldeia, as crianças vinham, nos abraçavam e riam muito, brincavam nas árvores ou qualquer coisa que encontravam pela frente. Eles expressavam uma alegria imensa e exibiam seus colares, arcos, flechas e artesanatos feito por eles. Nós tentávamos nos comunicar através do espanhol, mas só alguns deles compreendíam e muito pouco.

                Encontramos um senhor, o cacíque de outra tribo sentado em baixo de uma árvore, esse, nos ofereceu uma bebida muito forte, feita com água, ervas e raízes, o qual chamavam de tereré. Ele ria com com expressões que fazíamos ao tomar a amarga bebida. Uma mulher da aldeia traduzia nossas falas e a cada palavra, entoava uma enorme gargalhada. Não éramos os únicos brancos, também havia uma equipe de missionários da Argentina, eles estávam a meses convivendo com os índios e aprendendo seu idioma, pois estavam traduzindo a bíblia para a língua mãe.

                Percorremos por vários lugares, admirando aquela linda cultura. Encontramos macacos amarrados junto as casas como animais de estimação, idosos tecendo colares e ornamentações com dentes de animais, tudo encantador. Assistimos a várias apresentações feita por eles, crianças nos olhavam fixamente, algumas corriam, outras faziam caretas ou vinham no colo. Passamos um tempo fantástico.

                Em nossa partida houve choros e muitos abraços, mas valeu a pena conhecer pessoas que são muito felizes com o pouco, vivem livremente uma linda cultura e desfrutam da natureza o melhor da vida.  


    Fonte: Gabriel Lindemayer Krütri
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